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janeiro 17, 2007 / cassiomarques

Do romantismo ao profissionalismo

Este ano termino minha graduação em Computação Científica. A impressão que fica é que o curso é muito científico, há pouca computação e não é muito prático. Após quatro anos de curso olho para trás e me pergunto se deveria ter escolhido este curso ou algum outro na área de computação. A grande verdade é que não há como a faculdade preparar o aluno suficientemente bem para todos os segmentos da computação; mas ficou óbvio que a grade curricular proposta é no mínimo fora da nossa realidade.
Esse curso tem como objetivo preparar profissionais capazes de utilizar o computador como uma ferramenta para a pesquisa científica. Matemática, muita matemática. Métodos numéricos, métodos numéricos, métodos numéricos. Fica a pergunta: onde vou aplicar isso tudo?
Não me entendam mal, por favor! Sei muito bem da importância da matemática em qualquer curso da área de informática e compreendo que é um conhecimento fundamental para qualquer programador que saiba um pouco mais do que fazer drag’n drop de componentes do Delphi. Sempre gostei das matérias que envolvem cálculos, onde são tratados assuntos que me fazem pensar. Infelizmente chegou um momento em que comecei a sentir falta de prática, falta de sair daqueles cálculos no papel e de criar algo, aplicar aquilo tudo em uma implementação real, não na resolução de problemas meramente acadêmicos e de escopo reduzido.
Algumas linhas acima disse que a grade curricular é fora da realidade, agora deixem-me explicar minha colocação: Quanto é investido em pesquisa anualmente no Brasil? Se formos comparar com o que é gasto comprando-se soluções prontas de empresas do 1o mundo, veremos uma cifra irrisória. Ah, claro, devemos ainda assim preparar os jovens para que sejam capazes de produzir tecnologia nacional no futuro! E o investimento? Quem banca a pesquisa? Enquanto tiver gente passando fome não faz muito sentido investir em pesquisa científica. O governo prefere gastar construindo presídios e as grandes empresas preferem apenas explorar nossa mão de obra barata. De que adianta eu saber calcular a série de Fourier de uma função de enésimo grau se não aplicarei isso, pelo menos não neste país…
Por outro lado, sempre gostei de programar, desde meu primeiro contato com o C e o Dev-Cpp. Nunca deixei de programar, mesmo quando ainda não trabalhava na área. Comprei livros, estudei por prazer, porque queria ser capaz de criar. A faculdade deu a base, mas foi uma base frágil, superficial demais. Com algumas exceções, cai no mercado de trabalho e fui ver que não sabia quase nada. Fica aqui meu agradecimento aos professores que me mostraram a computação de verdade e também aos outros que me ensinaram o que NÃO é computação. Afinal, de tudo a gente pode tirar bons conhecimentos, mesmo que a partir de más lições… Só mais um ano, só mais um ano!

3 Comentários

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  1. Paulo Cassiano / abr 17 2007 5:54 am

    Olá, tudo bem?

    Também não sou muito fã da faculdade, justamente pelo excesso de teoria… Sei que o mercado pede por profissionais graduados. Pra quê? Enquanto as faculdades não reverem suas grades curriculares, as pessoas vão continuar se formando com a mesma sensação que você está tendo agora…

    Graça e Paz!

  2. cassiomarques / abr 17 2007 2:06 pm

    Olá Cassiano!

    Na verdade eu até gosto da faculdade, só acho que as coisas deveriam funcionar um pouco diferente… Os professores deveriam ser melhor avaliados e nos últimos anos deveria ter algo que direcionasse melhor o aluno ao mercado. Pelo menos na minha faculdade é dada muita atenção para matemática (que eu acho MUITO importante, pois ensina a pensar), mas muita gente de lá formada que não sabe programar NADA. Alguma coisa errada nisso tudo tem…

  3. Maria do Carmo / ago 17 2007 6:42 pm

    Comcorde plenamente com voce

    No Brasil ,Geralmente nao se poe em pratica tudo que se aprende do curso ´´se é que se aprende´´

    Muitos dos universitarios ficam mais a desejar vivem em um mundo idealizado pensando que quando concluir a faculdade encontrarao melhores oportunidaes no mercado de trabalho, é ai que se enganam meus caras amigos .

    No Brasil nao ha investimento na educaçao ate porque nao é do interesse dos governantes e consequentemente o ensino esta cada vez mais defasado
    E em relaçao ao mercado de trabalho na maioria das vezes faltám é mao de obra qualificada

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