Archive for Junho 2008
Quanto maior o problema, mais você aprende
Seres humanos têm o hábito de fugir ao máximo de seus problemas. É algo automático, um mecanismo de auto-proteção. Em grande parte está ligado à nossa constante vontade de nos mantermos confortáveis. Mas o quão bom é estar sempre confortável? O quão bom é não ter problemas e ver que tudo corre bem, que não temos com o que nos preocupar?
Desenvolvimento de software tem muito disso. Problemas… E eles têm que ser resolvidos para ontem. Sim, é desconfortável e sempre estamos fugindo disso. O método que não se comporta como esperado, aquele algorítmo maluco que por mais que você rabisque, desenhe, calcule e imagine, quando você passa para o código acaba com algo que não passa em boa parte dos testes. Ou ainda aquela biblioteca que você precisa instalar e que quando vai compilar deixa seu console doido girando com tanto output de erro…
É, profissão ingrata…. será?
Programar é uma das atividades que, ao menos na minha opinião, faz que o profissional mais aprenda. A cada dia se aprende algo novo. Quer dizer, se o programador quiser, é claro. Se o programador não se acomodar, se ele não passar a gostar demais de se sentir confortável. O inverso natural de se sentir confortável neste cenário é enfrentar problemas. De frente. Se afundar até o pescoço naquela merda toda. Porque meu amigo, quando você sair dali, você não será mais a mesma pessoa, pode acreditar.
Resolver problemas complexos nos expõe a situações novas, a desafios novos. Quando mais cabeludo o problema, em mais lugares você vai ter que procurar as peças que juntas formarão sua solução e mais soluções diferentes você irá tentar. A experiência é sempre proveitável: você aprenderá tanto com as soluções que tiveram sucesso quanto com as que fracassaram. É importante saber porque uma solução fracassou, até mais importante do que saber porque outra obteve sucesso, afinal em um conjunto qualquer, é mais fácil ir separando aquilo que não te interessa do que tentar acertar o seu objetivo em meio ao caos de opções.
Portanto, não fuja dos seus problemas. Pelo menos não daqueles que podem lhe trazer novas idéias e uma nova percepção do seu trabalho. Quer seu trabalho seja desenvolvimento de software ou não, muito provavelmente assumir os problemas e se empenhar para resolvê-los irá lhe tornar um profissional melhor. E sabe o que é melhor? Com certeza quando você sair daquela merda toda, vai olhar a solução do problema por cima, pensar em quão boa ficou e em tudo que aprendeu no caminho e se orgulhar. É isso que separa os que se contentam com a mesmice e que são infelizes com o que fazem daqueles que encontram realização pessoal a cada dia.
Desenvolver software é isso. É se enfiar de cabeça na lama, chafurdar ali até encontrar a pérola, a solução. O código perfeito, o algorítmo perfeito, a arquitetura perfeita. É surpreender seus clientes e, mais importante, a você mesmo.
Não se sinta confortável demais, talvez isso seja um sinal de que você não anda aprendendo muito no seu dia e está ficando estagnado. Evolução é a palavra…
Estudantes mediocres de hoje, profissionais incompetentes de amanhã
Ontem fui até minha antiga faculdade para resolver algumas coisas do meu diploma e aproveitar para encher o saco do meu irmão que ainda estuda por lá. Acabei assistindo um pouco da aula de IA que ele estava tendo e ao final da aula fui bater um papo com o professor da matéria, com quem também tive aulas e que é uma pessoa muito legal.
Começamos a conversar sobre o rumo que cada um que saiu da faculdade tomou, quem foi trabalhar onde e tal. Ele comentou que foi até o departamento de Administração de Empresas e encontrou com algumas pessoas que foram alunas do departamento de Informática, se formaram em Sistemas de Informação pelo que entendi. Ele perguntou a esses alunos o que eles estavam fazendo ali, responderam que estavam fazendo o curso. Ok, problema algum em cursar administração. Mas esse professor não conteve a curiosidade e perguntou porque. A resposta? “Ah professor, fizemos computação mas não deu muito certo, não conseguimos emprego…” E o professor: “Nossa, mas porque não?”
“Ah, complicado, a maioria das vagas pede conhecimentos em programação…”
Caramba! Ou eu estou louco ou então o mundo que está virando de cabeça para baixo! Como uma pessoa passa 4 ou 5 anos dentro de uma faculdade de computação e sai de lá sem saber programar? Ok, programação pode não ser o forte de alguns, mas ninguém vai sair da faculdade e virar gerente de TI e ficar só com o rabo na cadeira e se protegendo atrás do cargo (desculpem-me, não resisti). Ai vem a pergunta: A culpa disso é só da faculdade ou é do aluno? Bom, eu entrei lá e nunca tinha visto programação na vida. A maior parte do que sei aprendi sozinho, com livros, mas a faculdade com toda certeza me deu a introdução que eu precisava e me mostrou onde eu poderia chegar. Conheço diversas pessoas que se formaram comigo (ou antes de mim no mesmo curso) e que estão muito bem encaminhadas. Pessoas que gostam do que fazem e que não dependem que segurem em suas mãozinhas e lhes ajudem em tudo.
É meu camarada, a vida é assim. 10% aptidão e um pouquinho de sorte. 90% suor.
Depois de ouvir esse comentário do meu antigo professor, fiquei pensando. O projeto de lei para regulamentação da profissão de TI, visa proteger exatamente esse tipo de gente. Podem falar que esse projeto visa proteger os usuários dos sistemas, que terão pessoas “realmente capacitadas” criando produtos realmente “seguros” para elas, pois estudaram para isso. O que eu vejo é um monte de gente preguiçosa e incompetente se protegendo atrás dessa lei para arrumar emprego. O tempo dirá, o tempo dirá.


